Aos 15 anos, GUIdance é “corpo forte e enraizado” que “quase dança sozinho”
A primeira quinzena de fevereiro é, em Guimarães, sinónimo de corpos em movimento pelos palcos e de contorções em catadupa a expressar as várias possibilidades simbólicas que gravitam em torno de uma criação artística. Fundado em 2011, o GUIdance cresceu, amadureceu e prepara-se para viver a edição com mais público entre 5 e 14 de fevereiro.
O espetáculo de encerramento – a estreia nacional de “Chotto Desh”, a peça com maior circulação mundial da britânica Akram Khan Company – já conta com lotação esgotada no Grande Auditório Francisca Abreu, no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), assim como “Tender Riot”, obra que vai ser exibida no próximo sábado, 7 de fevereiro, na black box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, e que tem como cocriadora a vimaranense Ana Rita Xavier.
Até ao final desta terça-feira, restavam apenas 84 lugares disponíveis dos 796 que compõe o Grande Auditório do CCVF para “Magnificat + BodyRemixRemix”, da Compagnie Marie Chouinard, formação canadiana que sobe ao palco no próximo sábado à noite, e 17 lugares para “Ocelo”, peça acessível a crianças, exibida na tarde do próximo domingo no Pequeno Auditório, com lotação para 200 pessoas.
Registam-se ainda mais de 500 lugares reservados para a abertura da 15.ª edição do GUIdance, que assinala o regresso de Olga Roriz à cidade-berço. Presente na edição inaugural, em 2011, e na de 2013, a coreógrafa natural de Viana do Castelo apresenta “O salvado”, uma coreografia a solo, o primeiro de oito espetáculos, nos quais se incluem três estreias absolutas e três nacionais.
"Neste momento, estamos com uma afluência muito alta. Não é que isso seja realmente o mais importante, mas em termos de números pode vir a ser a melhor edição de sempre", frisou o diretor da cooperativa municipal A Oficina para as artes performativas, Rui Torrinha, em declarações aos jornalistas.
Sem esquecer as duas peças associadas à rede europeia Aerowaves – “Mercedes máis eu”, de Janet Novás e Mercedes Péon, nesta sexta-feira, e “Sirens”, de Ermira Goro, em 12 de fevereiro -, o diretor artístico do festival sublinha a “energia de fundo” que já se vive na cidade, em torno de um evento que ajuda Guimarães a moldar “a identidade contemporânea” de Portugal que, além de reunir grandes companhias internacionais, promove nomes emergentes lusos.
“Queremos oferecer grandes companhias, mas também os nomes emergentes, com vozes que vão aparecendo e que marcam a história à frente. Temos uma história longa de coreógrafos que se afirmaram, como Marta Silva Ferreira, Jonas & Lander, coproduzido muitas vezes a partir do festival. (…) Estamos cientes da responsabilidade, mas também há a felicidade de chegarmos aos 15 anos e sentirmos que este corpo já é muito forte e enraizado e que quase dança sozinho"
Esse corpo que é o GUIdance ganha vida nos palcos, mas também nas masterclasses, nas sessões de cinema promovidas pelo Cineclube, nos debates e na forma como se abre à cidade, com iniciativas como o Bailar Fora de Casa, na sede da associação 20 Arautos, com sessões abertas a qualquer pessoa, ou com as visitas de alguns dos coreógrafos do programa às quatro escolas secundárias do concelho.
“Queremos instituir este festival como um festival de cidade. Essa relação terá outro impacto na cidade daqui a 15 anos. Provavelmente, vamos ver nascer muito mais criadores, que é aquilo que também desejamos. Temos a Ana Rita Xavier, que vive entre o Porto e Berlim, mas é natural de Guimarães. O importante é como o festival começa a contagiar esse processo de expressão que é a criação, que faz dar forma ao mundo e pensar o mundo a partir de Guimarães", sublinha.