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Guimarães
09 março 2026
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Min: 17
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A autossabotagem madrugadora de uma equipa à deriva no Atlântico

Tiago Mendes Dias
Desporto \ domingo, março 08, 2026
© Direitos reservados
O golo inaugural do Santa Clara, aos seis minutos, foi um golpe do qual o Vitória não mais se levantou. À exceção dos três minutos iniciais, viu-se nos Açores uma equipa sem ideias e sem energia.

Imaginar uma embarcação no alto mar do Oceano Atlântico, à deriva, sem destino traçado, é uma boa representação da performance que o Vitória SC apresentou neste domingo à noite, no arquipélago dos Açores, perante o Santa Clara. Se se retirarem os três minutos iniciais, a equipa de Luís Pinto foi um profundo vazio de ideias e de critério, numa partida quase sempre mal jogada, com duelos e bolas aéreas em demasia, o que não favoreceu o perfil dos jogadores vitorianos. Mesmo quando jogou a favor do vento na segunda parte, a formação da cidade-berço foi incapaz de pousar a bola no relvado e de a circular por forma a criar aproximações em catadupa à baliza adversária.

A derrota por 2-0 frente a um oponente que atravessava uma série de 11 jornadas sem triunfo e que ocupava o penúltimo lugar da tabela foi um desenlace natural face ao que se viu em campo após os 15 minutos iniciais, período em que o Santa Clara marcou os dois golos que selou o triunfo.

Encostado à direita, Telmo Arcanjo foi a única novidade a titular de uma equipa que pareceu disposta a impor as suas regras nos minutos iniciais: o remate de Alioune Ndoye para defesa providencial de Gabriel Batista, aos três minutos, indiciava um Vitória dinâmico, à procura do golo com afinco.

Essa ilusão desmoronou-se rapidamente, porém: a primeira falta cometida pela equipa trajada de dourado e cinza, no corredor direito do ataque açoriano, originou o primeiro golo adversário. João Mendes saltou fora de tempo e foi incapaz de cortar o livre batido por Guilherme Romão, o que permitiu a Sidney Lima rematar de primeira para o fundo das redes, numa bola em que Charles nem sequer reagiu.

O golo foi um abalo sísmico para a equipa de Luís Pinto; aparentemente prontos para um jogo de iniciativa atacante, os jogadores vitorianos ficaram paralisados com o primeiro tento sofrido, revelando-se inoperantes com a bola e sem ela. O segundo golo açoriano não tardou: após perda de bola de N’Doye, Gabriel Silva foi lançado em profundidade e rematou para defesa incompleta de Charles, a preceder a recarga de Torrão, com um cabeceamento de cima para baixo, que acabou por entrar após tabelar na barra e em Charles.

O impacto do segundo golo foi praticamente nulo: por essa altura, já a equipa de Petit controlava as operações, deixando o Vitória trocar a bola na sua primeira fase de construção, mas não na sua metade defensiva do relvado, com marcações apertadas assim que a bola se aproximava da sua área. A lentidão nas trocas de bola dos homens que viajaram de Guimarães também facilitou a tarefa dos anfitriões, elevando-se um pouco acima da apatia Noah Saviolo, extremo que obrigou Lucas Soares a travá-lo várias vezes com recurso à falta.

 

Substituir… para ficar tudo na mesma

Confrontado com uma primeira parte vazia de ideias, Luís Pinto retirou João Mendes e Beni Mukendi ao intervalo e substituiu-os por Lebedenko e Gonçalo Nogueira, mas os efeitos na equipa foram parcos. O domínio territorial do Vitória acentuou-se é certo, mas isso já era esperado, tendo em conta o sentido favorável do vento. Faltou quase sempre traduzir a posse de bola em desenhos ofensivos capazes de fazer abanar a organizada defesa do Santa Clara.

Gustavo Silva e Nélson Oliveira refrescaram o ataque ainda no primeiro quarto de hora da segunda parte, mas o impacto das novas caras praticamente não se fez sentir até aos 68 minutos, quando Pedro Ferreira intercetou em cima da linha de baliza o remate do extremo brasileiro na primeira jogada digna desse nome criada pelo Vitória na etapa complementar.

O jogo rapidamente voltou à toada monótona que precedeu esse lance, repleto de faltas – o Santa Clara foi uma equipa especialmente faltosa, com 26 infrações -, de passes errados e de bolas em profundidade com pouco nexo. Após uma exibição paupérrima, a agravar o desempenho preocupante da receção ao Alverca (1-1), o Vitória segue num ciclo de três jogos sem triunfos e com 11 derrotas em 25 jornadas… com os lugares europeus já praticamente desaparecidos do horizonte.

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